História
A história de Horizonte é, acima de tudo, uma história de resistência negra.
No século XIX, um escravo chamado Cazuza (cujo nome de batismo era Francisco de Assis Pereira) fugiu de seu cativeiro na Barra do Ceará (hoje um bairro de Fortaleza) e rumou para o interior, em direção ao município de Pacajus.
Ele foi encontrado, capturado e torturado por três dias seguidos pelos seus algozes. Mas, ao ser solto, foi acolhido pelos índios Paiacus (ou Paiaku), que habitavam a região.
Cazuza se casou com uma mulher indígena e, com o dinheiro do dote de casamento, comprou terrenos na região.
Nesses terrenos, Cazuza e sua família fundaram os quilombos de Alto Alegre e Base — comunidades de escravos fugitivos que resistiam à opressão. Esses quilombos existem até hoje e são o coração da identidade de Horizonte.
Quilombos eram comunidades formadas por escravos fugitivos durante o período colonial e imperial.
Eles se escondiam em áreas de difícil acesso (mata, serra, mangue) e viviam de forma autônoma, cultivando a terra, pescando e mantendo suas tradições culturais africanas.
O mais famoso quilombo do Brasil foi Palmares (em Alagoas), liderado por Zumbi. Mas existiram centenas de quilombos em todo o país, incluindo Alto Alegre e Base.
O nome Horizonte foi escolhido por causa da vista panorâmica que se tem da cidade: um horizonte amplo, com a Serra de Baturité ao fundo. A cidade foi planejada em torno da praça central, onde se construiu a Igreja de Nossa Senhora de Fátima — a padroeira.
Horizonte se emancipou de Pacajus em 1987, mas sua história de resistência é muito mais antiga.
Hoje, o município tem 2.282 quilombolas (Censo 2022), concentrados principalmente na Comunidade Quilombola de Alto Alegre, que abriga cerca de 400 famílias.
A comunidade foi reconhecida pela Fundação Palmares em 2005, o que garante direitos territoriais e políticas públicas específicas.
A Prefeitura de Horizonte mantém o Núcleo de Promoção da Política de Igualdade Racial (NUPPIR) , e a cidade recebeu o Selo Município Sem Racismo do Governo do Estado — um reconhecimento pelo trabalho de valorização da cultura negra e quilombola.
Fatos que Marcaram a Cidade (Linha do Tempo Didática)
| Período | Acontecimento | Por que isso é importante? |
|---|---|---|
| Século XIX | Fuga de Negro Cazuza da escravidão | O ato de coragem que deu origem à cidade. Cazuza é o herói fundador de Horizonte. |
| Século XIX | Fundação dos quilombos de Alto Alegre e Base | Comunidades de resistência negra que existem até hoje — mais de 150 anos depois. |
| 1987 | Emancipação política | Horizonte se torna município independente. |
| 2005 | Reconhecimento da Comunidade Quilombola de Alto Alegre pela Fundação Palmares | Garantia de direitos territoriais e acesso a políticas públicas específicas para quilombolas. |
| Censo 2022 | 2.282 quilombolas em Horizonte | Horizonte é uma das cidades com maior população quilombola do Ceará. |
| Atualidade | Selo Município Sem Racismo | Reconhecimento do trabalho da cidade na promoção da igualdade racial. |
Quadro Informativo
| Característica | Dado |
|---|---|
| Gentílico | Horizontino |
| Emancipação | 1987 |
| População quilombola | 2.282 (Censo 2022) |
| Comunidade principal | Alto Alegre (400 famílias) |
| Padroeira | Nossa Senhora de Fátima |
Curiosidade Didática
Quem foi Negro Cazuza?
Francisco de Assis Pereira, o Negro Cazuza, é uma figura lendária em Horizonte. Ele nasceu escravo, fugiu, foi torturado, mas não desistiu. Com o dote de casamento (um costume indígena em que o noivo presenteia a família da noiva), ele comprou as terras que se tornariam os quilombos.
Cazuza viveu até idade avançada e viu sua comunidade crescer. Ele morreu pouco antes da Abolição (1888), mas deixou um legado de resistência que atravessa gerações. Descendentes diretos de Cazuza vivem em Horizonte até hoje, incluindo Tatiana Ramalho, gerente do NUPPIR.
O que significa "quilombola"?
O termo "quilombola" se refere aos descendentes de escravos que viveram em quilombos. Segundo a Constituição Brasileira de 1988, os remanescentes de quilombos têm direito à propriedade definitiva das terras que ocupam.
A Fundação Palmares (vinculada ao Ministério da Cultura) é o órgão responsável por reconhecer e certificar as comunidades quilombolas em todo o Brasil.
Distância de Fortaleza
50 km (pela BR-116 e depois CE).
Como Chegar
- Carro: Acesso principal pela BR-116 até o entroncamento com a CE-155, ou pela rodovia BR-020 (Sentido Canindé) até o distrito de Jurema (Caucaia) e depois para leste.
- Ônibus: Linhas da Viação São Benedito partem da Terminal do Papicu (Fortaleza).
