História
Pacajus tem uma das histórias mais antigas da RMF, remontando ao início do século XVIII. A região era habitada pelos índios Paiaku (ou Paiacus), que foram catequizados pelos jesuítas na Missão dos Paiacu, às margens do Rio Choró.
A missão funcionou durante algumas décadas, mas com a expulsão dos jesuítas em 1759, os indígenas foram dispersados e as terras ocupadas por fazendeiros de gado. A economia da região, durante o século XIX, foi dominada pela pecuária e pela agricultura de subsistência.
A grande virada aconteceu com a chegada da Estrada de Ferro de Baturité no final do século XIX. A ferrovia, que ligava Fortaleza ao interior, passava por Pacajus e trouxe desenvolvimento. Comerciantes se estabeleceram às margens da linha do trem, e o povoado cresceu rapidamente.
Em 1890, Pacajus foi oficialmente elevada à categoria de vila com o nome de Guarani — uma homenagem aos povos originários. Mas em 1943, o nome foi alterado para Pacajus (ou "Paca yus" em tupi, possivelmente significando "rio das pacas").
O nome definitivo pegou, e Pacajus se tornou conhecida por duas coisas: a produção de caju e a cajuína.
A cajuína é uma bebida não alcoólica feita a partir do pedúnculo (a "fruta") do caju. O suco é clarificado, filtrado e engarrafado, resultando em uma bebida âmbar, levemente adocicada e refrescante. A cajuína é considerada um patrimônio cultural do Ceará e do Piauí, e Pacajus é um dos principais produtores.
Além do caju, Pacajus se destaca na logística. A cidade está no cruzamento de duas importantes rodovias (BR-116 e CE-155) e próxima à ferrovia, o que a torna um centro de armazenamento e distribuição de grãos e outros produtos agrícolas.
Pacajus também está ligada à história de Horizonte e dos quilombos de Alto Alegre e Base — foi em Pacajus que Negro Cazuza foi capturado e torturado antes de ser acolhido pelos índios Paiaku.
Fatos que Marcaram a Cidade
| Período | Acontecimento | Por que isso é importante? |
|---|---|---|
| Século XVIII | Missão dos Paiacu pelos jesuítas | O primeiro núcleo de ocupação europeia na região. |
| 1759 | Expulsão dos jesuítas | Fim da missão; as terras são ocupadas por fazendeiros. |
| Final do século XIX | Chegada da Estrada de Ferro de Baturité | A ferrovia trouxe comerciantes e desenvolvimento para Pacajus. |
| 1890 | Elevação à categoria de vila (como Guarani) | Pacajus se torna um centro administrativo local. |
| 1943 | Mudança do nome para Pacajus | Consolidação do nome atual. |
| Século XIX | História de Negro Cazuza em terras pacajuenses | Pacajus faz parte da história de resistência negra da região. |
| Atualidade | Polo de produção de caju e cajuína | Pacajus é reconhecida como a "Terra do Caju". |
Quadro Informativo
| Característica | Dado |
|---|---|
| Gentílico | Pacajuense |
| Apelido | "Terra do Caju" |
| População | Aproximadamente 70.911 hab. |
| Clima | Tropical semiárido |
| Principal produto | Caju e cajuína |
Curiosidades
O que é cajuína? Muita gente confunde cajuína com suco de caju.
A diferença é que o suco de caju é feito simplesmente batendo o pedúnculo do caju no liquidificador com água e açúcar. Já a cajuína passa por um processo industrial mais complexo: o pedúnculo é prensado, o caldo é filtrado, clarificado (para ficar transparente) e pasteurizado (aquecido para matar micro-organismos).
O resultado é uma bebida âmbar, límpida e de sabor suave. A cajuína é típica do Ceará e do Piauí, e é consumida gelada como um refrigerante mais saudável.
Pacajus já teve cinco nomes diferentes: Missão dos Paiacu (período jesuíta), Monte-Mor-o-Velho, Monte-Mor, Guarani (de 1890 a 1943) e finalmente Pacajus (de 1943 até hoje). Essa mudança constante de nomes reflete as disputas políticas e as mudanças de regime no Brasil.
Distância de Fortaleza
51 km (pela BR-116).
Como Chegar
- Carro: Acesso direto pela BR-116 Sul. A estrada está duplicada até Pacajus, facilitando muito o trajeto. É uma viagem de cerca de 45 minutos de Fortaleza.
- Transporte: Linhas de ônibus intermunicipais partem da Terminal do Papicu (Fortaleza).
